AVISO

Informa-se que a Biblioteca da Ajuda estará encerrada para leitura a partir das 14h00 do dia 21 de Fevereiro (quarta-feira), por motivo de preparação e realização de evento da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

O horário habitual é retomado no dia seguinte.

Agradecemos a compreensão dos nossos leitores.

 A Coordenadora

 

Cultura e o ensino científicos na corte joanina do Rio de Janeiro: um testemunho

Um manuscrito que integrou a que foi outrora a livraria da Rainha D. Carlota Joaquina de Bourbon - Catálogo da Livraria que foi de S. Mag.de a Senhora D. Carlota Joaquina de Bourbon (cód. 51-XIII-7)revela-nos algumas informações sobre os primórdios do ensino científico na corte Joanina, do Rio de Janeiro:  
Intitulado “Primeiro dia do Curso sobre Chymica para ser feito em Presença de S.A.R. o Príncipe Regente Nosso Senhor, e da Sua Augusta e Real Família, pelo Doutor Daniel Gardner, formado em Medicina” (Ms. Av. 54-VI-14, n.º 87), não se encontra datado, nem informa sobre o local de sua redacção. Feita alguma pesquisa a partir da identificação do médico encarregue da docência, foi possível obter alguns esclarecimentos sobre o significado mais amplo deste documento.
 
De facto, Daniel Gardner (1785-1831), médico inglês, integrara a “Academia Real Militar”, criada por carta régia de 4 de dezembro de 1810, no Rio de Janeiro, por inspiração do ministro D. Rodrigo de Sousa Coutinho (1755-1812),futuro Conde de Linhares,com o objectivo de promover o ensino das ciências matemáticas, da física da química, da mineralogia, metalurgia e história natural, daquela que seria a semente para a “institucionalização do ensino das ciências no Brasil”[aqui]. As aulas de Química seriam ministradas no quinto ano do curso e o Dr. Gardner, cidadão britânico, era nomeado lente responsável pelo seu ensino, auferindo um salário anual de 600$000, devendo 100$000 corresponder a gastos com demonstrações práticas. O decreto facultava ainda ao professor ministrar outros "cursos além dos que for obrigado a dar na Academia Militar" (Santos, Nadja Paraense dos; Filgueiras, Carlos Alberto Lombardi, “Daniel Gardner, autor do primeiro livro de química brasileiro, um desconhecido”)
A presença Dr. Gardner no Rio de Janeiro era, no entanto, anterior àquela data, pois desde 1809 que o mesmo leccionava Química no Seminário de S. Joaquim, contribuindo ainda para a divulgação dos conhecimentos sobre aquela ciência mediante a realização de palestras que anunciava na Gazeta do Rio de Janeiro, nos anos de 1810-1811, sendo os anúncios acompanhados da informação de que o Príncipe Regente D. João(1767-1826) e a Família Real, já teriam presenciado as experiências físicas e químicas, que as mesmas seriam repetidas e, novidade, que estariam abertas à participação das senhoras - “as senhoras serão admitidas” lê-se na Gazeta do Rio de Janeiro (n.º 51, 26 de Junho de 1811).
 
 n.º 51, 1811
 
 
 
O manuscrito da Biblioteca da Ajuda (Ms. Av. 54-VI-14, n.º 87), que pertenceu à livraria da Rainha D. Carlota Joaquina de Bourbon (1775-1830) enuncia o sumário de cada uma de três aulas que, presumimos, integrariam o mencionado Curso de Química, sendo que apenas no primeiro se mencionam as presenças régias. De acordo com os resumos apresentados no referido manuscrito o primeiro dia seria dedicado a “Explicação da significação do termo – Chymica - seus principais objectos, utilidade, e História, analyses e sintheses”;

 
o segundo dia “Sobre a Electricidade” versando “Observações sobre a particularidade deste fluido. Hum fluido, seus géneros, e meios activos no laboratório da Natureza. Descripção da Maquina electrica. Fluido electrico produzido por meio de fricção”;

 
e no terceiro dia dedicado “A Sciencia Pneumatica”, apresentada como “a doutrina do ar, incluindo suas propriedades mecânicas e químicas”
  



 
Com estas iniciativas se davam os primeiros passos para o ensino da Química no Brasil, segundo os preceitos científicos mais avançados e baseado em experimentalismo laboratorial, estudos estes incentivados pelo Príncipe Regente D. João que, com a sua participação no laboratório do eminente cientista, bem como da Família Real, mais não fazia do que creditar as suas aulas e aquele ensino.
 
O Dr.Gardner seria ainda o autor do primeiro livro de Química publicado no Brasil, pela Impressão Régia, em 1810, dedicado ao Príncipe Regente, "Syllabus ou Compendio das Lições de Chymica", e que era, na sua essência, “um programa comentado de seu curso”. O médico inspirara-se na obra de A. F. Fourcroy que na sua tradução recebera o título “Filosofia Química ou Verdades Fundamentaes da Química Moderna”, (BA- 37-VII-40), obra traduzida por Manoel Joaquim Henriques de Paiva, e impressa em Lisboa no ano de 1801, e que em dezembro de 1816, fora “recomendado para o futuro ano escolar”, sendo, então, “considerado o primeiro compêndio adotado oficialmente num curso regular de Química no Brasil” (Nadja Paraense dos Santos; Carlos A. L. Filgueiras- “O primeiro curso regular de química no Brasil”, São Paulo  2011)

A divulgação desta disciplina e a curiosidade que despertara entre uma camada social ávida de conhecimentos, talvez fosse a razão para encontrarmos no Catálogo da Livraria de D. Carlota Joaquina, além do manuscrito contendo o sumário de parte das lições do Dr. Gardner, esta obra do químico francês Antoine François de Fourcroy (1755-1809), na sua tradução portuguesa.
 
Anúncios da Gazetas:


n.º 51, 1810


n.º 74, 1811

n.º 60, 1811



A missão Jesuíta da China nas coleções da Biblioteca da Ajuda: textos

A publicação do livro do Prof. Noël Golvers, Letters of a Peking Jesuit.The correspondence of Ferdinand Verbiest, SJ (1623-1688), Lovaina: Ferdinand Verbiest Institute, KU, 2017, foi a oportunidade para a realização de uma sessão que congregou no espaço da Biblioteca da Ajuda um conjunto de investigadores numa 'conversa à volta da mesa' com a produção documental e bibliográfica jesuíticas como tema comum.

Esta situação foi duplamente satisfatória pois não só foram invocadas as obras, as estórias e o significado histórico da Companhia de Jesus em Portugal, como foi também uma ocasião de retomar uma das valências historicamente documentadas desta Biblioteca enquanto espaço de construção, partilha e divulgação de conhecimento.
 

BA. 17-XI-23 (1628)

A qualidade e originalidade das comunicações e a sua referência direta à coleção à guarda da Biblioteca justificaram a edição das Atas do Colóquio Internacional A missão jesuíta da China nas coleções da Biblioteca da Ajuda, publicadas no sítio do Palácio Nacional da Ajuda, mais um passo na divulgação das coleções e espécies mais preciosas da Biblioteca da Ajuda.

 Atas do Colóquio: [Aqui]
 



 
Sumários  em Inglês e português pdf:

Hamzeh Almaaytah, O LIVREIRO PRODIGIOSO


Representante da quarta geração de livreiros, Hamzeh AlMaaytah dorme poucas horas por dia e sempre num velho colchão, atrás de um biombo, junto ao balcão da sua livraria em Amã. Trabalha 365 dias por ano.
Seu pai abandonara Jerusalém, em 1948, tendo continuado, com admirável determinação, a exercer a sua paixão de mercador e divulgador de livros na capital da Jordânia. Era um verdadeiro “médico da alma e leitor compulsivo”, lembra Hamzeh.

Comunicativo, enérgico, vivaz e bem-falante, citando de cor inúmeros poetas, em Fusha – árabe literário – mais do que em jordano, Hamzeh vive verdadeiramente para os livros e para a literatura, nunca encerrando as portas da sua Mahall al-Maa (Livraria al-Maa), situada nas cercanias da Mesquita Husseini e do mercado local. Por vezes, no final da noite, desfruta de um brevíssimo e merecido descanso, quando é substituído por dois antigos funcionários de seu pai, dois sírios refugiados em Amã.
Na al-Maa, os preços dos livros são sempre negociáveis, dependendo das posses, do entusiasmo e das necessidades do comprador e, sempre, da generosidade do vendedor.

Empréstimos domiciliários e troca de exemplares com outros leitores ou com o livreiro - caso único neste meio - são praticados por este livreiro prodigioso.
Hamzeh recusa armazenar, comprar, vender ou trocar títulos que incitem à violência, à discriminação religiosa, étnica e de género, à perseguição do diferente, seja árabe, cristão ou judeu, mesmo sabendo que faria muito bom negócio se aos maus princípios cedesse.

Ele acredita e defende que a livraria deve ser um verdadeiro oásis, um purificador da mente e não uma correia de transmissão de ideias perigosas, maléficas e odientas.
Comerciar não é a prioridade, mas sim fazer chegar e espalhar matéria escrita e ilustrada que fertilize o espírito, qualificando e dignificando o ser humano.

A al-Maa disponibiliza cerca de 2000 títulos em loja, 1000 em armazém – em permanente e cuidada inventariação - e é um riquíssimo entreposto de livros, em várias línguas, de ideais, de sonhos e de valores humanistas universais.
Obrigada, Hamzeh!

Homenageando esta personalidade ímpar e elogiosa da natureza humana, a Biblioteca da Ajuda propõe a consulta de

Portogallo
in
FERRARIO, Giulio (1767-1847)
Il costume antico e moderno o storia del governo, della milizia, della religione, delle arti, scienze ed usanze di tutti i popoli antichi e moderni (…). Tomo V. Parte 1. – "Europa". – Milano: dalla tipografia dell'Editore [Vicenzo Batelli], 1827.
BA 125-I-13
 
 
Obra de imensa envergadura técnica, estética e de conteúdo, é fruto de um espírito letrado e racional que se dedicou a sistematizar e divulgar os costumes e a organização de todos os povos do mundo, mesmo aqueles à época menos conhecidos. Continuando o 'espírito enciclopédico', alimentou o interesse pelo exótico e pelo mundo humano nas suas múltiplas formas, inaugurando uma forma coletiva de publicação, envolvendo o trabalho de inúmeros colaboradores e artistas.

Bailes de Máscaras:



APNA 9.1.1, n.º 2


A 7 de Fevereiro de 1864. A Rainha Dona Maria Pia organizou no Palácio da Ajuda, uma "Soirée de Mascaras".






A 15 de Fevereiro de 1865. A Rainha Maria Pia organizou no Palácio da Ajuda um baile de máscaras para o qual usou 3 disfarces e, grande adepta da fotografia, fez-se fotografar com todos eles.
A Biblioteca da Ajuda conserva, na sua colecção de fotografia, os retratos da Rainha, nos diferentes trajes que usou:


BA. Reg. 960


BA.  Reg. 870
Traje de Maria Tudor, com o qual abriu o Baile:
BA reg. 960




 depois a Rainha trocou por um traje de escocesa:
                                                       




BA. Reg. 961


por último usou o traje de Dominó




                                                  Mais..... [Aqui]




Obra da Biblioteca da Ajuda no Museu Calouste Gulbenkian

As Flores do Imperador: Do Bolbo ao Tapete ⎸Coleção do Fundador – Galeria do Piso Inferior ⎸9 de Fev. - 21 de Maio 2018 ⎸10h00 até 17h30
 
A mostra propõe uma análise dos motivos decorativos de dois tapetes da coleção de Arte Islâmica do Museu Calouste Gulbenkian – Coleção do Fundador – produzidos na Índia Mogol durante o reinado de Xá Jahan (1628-1658). A tipologia e o cariz naturalista dos desenhos florais patentes nestes exemplares sugerem os diálogos estabelecidos entre Oriente e Ocidente ao longo do século XVII e a circulação, à escala global, de pessoas, livros, imagens e espécimes botânicos

Mais Informações [Aqui]

 Obra da Biblioteca da Ajuda:



Dastan- I -Masih “Evangelhos em Persa” [S. João e S. Mateus]; [S. João: 1: 1-18; S. Mateus: 1: 1-17; 1: 18-24 e 2: 1-12]
Autor: Tradução de Jerome Xavier S.J., com Abdu-s-Sattar ibm qasim, ca. 1604
Cod. Ms, papel com pigmentos coloridos e ouro; gravuras, a negro, dos apóstolos Mateus e João.
  BA. 52-XIII-32


Uma das traduções em Persa (Farsi), dos evangelhos de S. Mateus e S. João, feitos por missionários Jesuítas na corte do Grão Mogol, no início do Séc. XVII e enviados para a Europa.

Marcas de posse

(...) Ex-libris manuscrito do Bailio de Negroponte:




Philalethe Eupistino, Germano        
Authoritas contra praedeterminationem physicam proscientia media: cum brevi historiâ complectente ortum, pugnas & palmas ejusdem scientiae mediae ...
Duaci : ex typographiâ Joannis Patte, sub signo Nativitatis, 1669
[4], 211, [5] p.; 8º. Pert. ms. do bailio de Negroponte
BA. 98-III-37




 Casos raros de la confession : con reglas, y modo facil para hazer una buena confession general, ó particular : y unas advertencias para tener perfecta contricion; y para disponer se bien en el articulo de la muerte : sexta impression / por el. P. Christoval de Vega. - En Lisboa : por Juan de la Costa, 1667
[4], 504, [8] p. ; 12o (15 cm). - Pert. ms. Bailio de Negroponte; S. Roque (Livraria Pública)
BA. 98-III-24



Fr. João Brandão Pereira, 16--?- 17-12-1680
Bailio de Negroponte, fundador da capela de Nossa Senhora da Boa Nova na Igreja de Santa Marinha, em Lisboa, no bairro de Alfama, na qual foi sepultado a 17 de Dezembro de 1680, de acordo com o declarado pelo  administrador do bairro de Alfama, Dr. João Baptista de Seixas:

"FAÇO saber, que estando determinado a demolição das Igrejas profanadas de Santo André, e de Santa Marinha, deste Bairro, e existindo alli despojos mortaes encerrados em túmulos e sepulturas, entre os quaes se tornam salientes os que tem inscnpções, (...) e na de Santa Marinha um túmulo de pedra de cantaria sobre dous elefantes com uma inscrípcão que diz:
Aqui jaz Fr. João Brandão Pereira, Bailio do Negro Ponto, e Comendador das Commendas de Oliveira do Hospital, e Agoas Santas, da Sagrada Religião de S. João Baptista de Jerusalém, falleceu no anno de 1680 aos 17 de Dezembro". -  Diário do Governo de 1844, n.º 050S1, p. 1377 [ aqui]


A Igreja de Santa Marinha, no bairro de Alfama, localizada no actual largo de Santa Marinha, foi sagrada a 12 de Dezembro de 1222 [Corografia portugueza (...) Cap. VIII, pag. 363, aqui], terá sofrido poucos danos em 1755 mas, em 1834, por força da extinção das Ordens Religiosas, e por ter sido considerada "profana", foi decidida a sua demolição em Outubro de 1837 que, no entanto, só terá início em janeiro de1845 e se estenderá até 1853 [Lisboa antiga...., vol. VII, cap. IV, p. 227,  [aqui] ].

Marcas de posse

Marca de propriedade, Marca pessoal ou simplesmente Pertence, é o elemento que se coloca num livro ou documento e que identifica o seu possuidor.

Super-libros, ex-libris, ex-dono, carimbos, etiquetas ... são muitas das formas de marcas que nos indicam a quem pertenceu determinada obra. Uma obra poderá ter uma ou mais marcas de posse, indicando, como tal, a sua "pertença" a um ou mais possuidores.

De entre as diferentes marcas de posse o ex-libris é uma expressão de origem latina que significa, literalmente, dos livros de... servindo, como tal, para comprovar da posse de um livro, individual ou colectiva; pode, entre outras formas, ser manuscrito e figurar em qualquer parte do livro.


Um livro "marcado", qualquer que seja o tipo de marca, conta uma história que nos leva, além das descrições bibliográficas, até ao "dono". Tal é o caso da obra abaixo que possui, no frontispício, uma marca de posse, manuscrita, "de Andre Gonçalues Pintor"...

CARVALHO, Lourenço Pires de, 1642-1700, (O.M.C.) ; DESLANDES, Miguel, 16---1703 ; GONÇALVES, André, (pintor) 1685-1762 ; PINHO, Ant. ; Tribunal da Cruzada - Epitome das indulgencias, & privilegios da Bulla da Santa Cruzada : repartido para mayor clareza em titulos pelas indulgencias, & diversas faculdades, que cõtem, com algu[m]as advertencias no principio. Lisboa : na officina de Miguel Deslandes, impressor delRey N. Senhor & do Tribunal da Cruzada : á custa da mesma , 1696. [16],112 p.
BA. 98-III-10 - Pert. ms.: "de Andre Gonçalues Pintor"


 
 


André Gonçalves (Lisboa 1685-1762)

Pintor do Barroco Português, membro da Irmandade de S. Lucas, considerado como um dos grandes responsáveis pela mudança estética que se operou em Portugal no início do século XVIII.

As suas obras encontram-se representadas por toda a cidade de Lisboa nomeadamente, no convento da Madre de Deus (actualmente o Museu Nacional do Azulejo), na ermida de St.º Amaro e na igreja de S. Roque. Participou também nas obras do Convento de Mafra, entre outras.

O que é um incunábulo

Este termo – com origem no latim (in) cunabulum: (no) berço - designa um livro impresso com caracteres móveis, fundidos em metal, entre a invenção da prensa e o fim do séc. XV, isto é: até 31 de Dezembro de 1500 (inclusive), data arbitrária mas necessária.

“Pós-incunábulo” é a designação atribuída, na segunda metade do séc. XVIII, às edições impressas que apresentavam ainda a aparência de folhetos góticos.

No Incunabula Short Title Catalog, ISTC (
http://istc.bl.uk/), há registo de 30350 incunábulos, sendo a maior parte com texto em latim – só 30% em língua vernácula - com edições italianas (10 523), germânicas (10 437) e francesas (5 387), maioritariamente; refira-se as 47 edições portuguesas.

Um incunábulo tem a aparência de um livro manuscrito medieval: é compacto, não apresentando ainda a folha de rosto, a qual viria a incluir título, autor, local e oficina de impressão, e referência tipográfica do impressor/ livreiro.

Esta hierarquização da informação do livro, complementada pela introdução de paginação, capítulos, ilustração e outros elementos, surge por volta de 1540.

As páginas são impressas recto verso, em papel (desde o séc. XIII) ou pergaminho, apresentando o texto a 2 ou 3 colunas de 30 a 70 linhas cada.

Surgem, entretanto, os caracteres móveis gregos, principalmente em Itália; também os caracteres hebraicos surgem em tipografias em Itália (Roma, Brescia, Mântua, Bolonha) e na Península Ibérica (Hijar, Lisboa, Leiria).

Só um número muito reduzido de incunábulos contém ilustrações e em alguns encontra-se a capitular manuscrita, após impressão.

O aspeto visual do livro, tal como o conhecemos, fixa-se entre 1530 e 1550.
 
  A Biblioteca da Ajuda tem o privilégio de possuir no seu acervo 3 exemplares de Liber Chronicarum, conhecido também como Crónica de Nuremberg (1493), que disponibiliza aos seus leitores para consulta e fruição.

Trata-se de um magnífico incunábulo (c. 600 páginas) dos primórdios da impressão, com texto em latim de Hartmann Schedel (1440-1514) – médico, cartógrafo e colecionador de obras humanistas -, que conta a história da humanidade, desde a sua criação até 1490.
Inaugura a inclusão de ilustrações impressas com blocos de madeira, com desenhos de cidades – uns autênticos, outros inventados ou adaptados – revelando-se estes de grande interesse artístico e topográfico.

São parte das mais de 1800 xilogravuras, da autoria de Michael Wolgemut (1434-1519), mestre de Albrecht Dürer, e Hans Pleydenwurff (1460-1494), que, juntamente com o texto e dominando, em número e escala, a composição deste, foram laboriosamente impressos por Anton Koberger (1445-1513), ourives e impressor de inovadora e profícua capacidade técnica


SCHEDEL, Hartmann
Liber chronicarum / [grav.] Willelem Pleydenwurff ; Michæl Wohlgmuth.
Nürnberg : Anton Koberger, 1493 Julho 12
[20], I-CCXCIX, [I], [6] f. : il., map. ; 2°.
Faltam : [F.1] portada xilogr., CCLLVIIII a CCLXII, CCLXIIII, CCLXV, CCLXVII, CCXCVIII, [321 e 322]. — Pert. : Bib. Necessidades. — Enc. séc. XVIII. carn.

BA   48-XIII-16